Certa vez lendo um soneto do poeta goiano de Pirenópolis Érico Curado tive idéia para um poema. O soneto do conterrâneo é do livro Iluminuras de 1913. Início do simbolismo em Goiás. Trata-se de uma evocação às musas. Como faziam os gregos:
Gusla maviosa — ou trêmulos violinos…
Luas de Maio, ó brisas vesperais,
Olhos que exalam sonhos levantinos,
Linhas quebrando em formas imortais!
Luas de Maio, ó brisas vesperais,
Olhos que exalam sonhos levantinos,
Linhas quebrando em formas imortais!
Sinfonias da Luz, nênias dos sinos,
Lendas e sagas, noites medievais,
Lírios e rosas, níveos, purpurinos,
Fazei meus versos vagos, musicais!…
Lendas e sagas, noites medievais,
Lírios e rosas, níveos, purpurinos,
Fazei meus versos vagos, musicais!…
Fazei meus versos de um lavor sutil…
Rimas brilhando em cadencioso aceno,
— Murmúrio esparso de um rosal de Abril!
Rimas brilhando em cadencioso aceno,
— Murmúrio esparso de um rosal de Abril!
Fazei meus versos leves, como um trilo,
Como o sorrir de um bandolim sereno:
— Salmos de amor, — em blandioso estilo!…
Como o sorrir de um bandolim sereno:
— Salmos de amor, — em blandioso estilo!…
Foi logo após essa leitura que imaginei o seguinte poema:
Quero meu verso duro
seco em pedaços.
Completos, diretos, claros
curvados ao peso das idéias.
Abertos no matadouro.
Fumaça condensada
nota a nota
fechada e redonda
louca e desesperada.
Lirismo a tijoladas.
Métrica reiterada até a queda do verso
açoitado, morto e redivivo!
Romantismo de faca na mão – olho na fera.
Vibrando a hipérbole resoluta:
ou tudo ou nada!!!!!
O infinito nos ombros
sem "mas"
sem "talvez"
sem intromissão.
Só o corte direto na garganta da palavra indecisa.
Obsessão fantástica!
Destruição e sacerdócio!
*Não é dos mais ricos poeticamente. Não alcança muitas possibilidades. Mas é forma de abrir essa exposição. Há uma oposição clara ao suavismo de Curado. Bem mais clássico. Mas é um poema que tem minha personalidade. Traz muito do que penso sobre poesia.
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