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segunda-feira, 19 de março de 2012

O êxtase místico de Rilke

Elegias de Duíno

A Primeira Elegia

Quem, se eu gritasse, ouvir-me-ia, nas hierarquia
dos Anjos? E mesmo que um deles me apertasse,
de repente ao seu coração: eu padeceria perante a sua
existência mais forte. Pois o Belo nada mais é
do que o começo do Terrível que ainda suportamos;
e o admiramos porque, sereno, desdenha
destruir-nos. Todo o anjo é terrível.
(...)

* Trecho da primeira elegia do livro "Elegias de Duíno". De Rainer Maria Rilke. 1923. Tradução de Karlos Rischbieter.


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domingo, 4 de março de 2012

Poesia por Rilke

"O senhor me pergunta se os seus versos são bons. Pergunta isso a mim. Já perguntou a mesma coisa a outras pessoas antes. Envia os seus versos para revistas. Faz comparações entre eles e outros poemas e se inquieta quando um ou outro redator recusa suas tentativas de publicação. Agora (como me deu licença de aconselhá-lo) lhe peço para desistir de tudo isso. O senhor olha para fora, e é isso sobretudo que não devia fazer agora. Ninguém pode aconselhá-lo e ajudá-lo, ninguém. Há apenas um meio. Volte-se para si mesmo. Investigue o motivo que o impele a escrever; comprove se ele estende as raízes até o ponto mais profundo do seu coração, confesse a si mesmo se o senhor morreria caso fosse proibido de escrever. Sobretudo isto: pergunte a si mesmo na hora mais silenciosa de sua madrugada: preciso escrever? Desenterre de si mesmo uma resposta profunda. E, se ela for afirmativa, se o senhor for capaz de enfrentar essa pergunta grave com um forte e simples "Preciso", então construa sua vida de acordo com tal necessidade; sua vida tem de se tornar até na hora mais indiferente e irrelevante, um sinal e um testemunho desse impulso. Então se aproxime da natureza. Procure, como o primeiro homem, dizer o que vê e vivencia e ama e perde."

* Trecho de "Cartas a um Jovem Poeta". De Rainer Maria Rilke. 1929. Tradução de Pedro Süssekind. O mais belo livro sobre criação poética. Indispensável. Um pacto com a natureza e com o espírito.