Mostrando postagens com marcador (meus poemas). Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador (meus poemas). Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de maio de 2012

Saída

Meus passos caíram dos meus sapatos,
para fora dos degraus.
Cansados de mim. Meus itinerários.
Meus pés desperdiçados.

Meu coração desperdiçado.
Lábio da alma. Meu externo.
Um susto no lugar da cabeça. Um peito dobrável.
Meus olhos náufragos.

O dia circulou o mundo de um janela à outra
e a manhã
amanheceu como seu eu fosse noite.
Faca luminosa
abriu estas páginas na cama.
Leu meu futuro
nas minhas mãos congeladas.
Um milhão de olhos apenados.

O espelho dobrou-se
negou-se o meu reflexo.
Estalou o destino.
Depois o trovão.

Vai, minha alma! Vai
e segue minha pequena asa!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Nascimento

As pedras riscam no tempo,a soma
dos seus minérios.
Sublinhadas pelo chão.

A terra desfaz-se em séculos
pela primeira vez
Outonos enchem suas mangueiras
pela primeira vez

Raios atravessam cristais
e primaveras
com suas grossas espadas de fumaça.

As luzes não fazem sombras.
Os cemitérios estão vazios

Um ventre enche-se de água
na palma de um trovão
conferindo o infinito.

Nas primeiras nuvens
mandará dois seios das montanhas
para lavar a América do Sul!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ausência

Meu nome no papel,
segura a minha mão.
Minha voz
desaparece na tarde

como uma tempestade nos pulmões
amanhecendo.


Meus ossos embrulhados
dentro do meu passo lento
peregrinam
até a última respiração
seca
com cheiro de hora desgastada.


A ponta de uma agulha azul
costura meus olhos
nos meus tecidos mortos.
Como um rio recolhendo suas fontes.

Minhas tréguas no jardim
- floridas - peças de ouro
quadros e rubis dantescos.
Labores, emplastros.
Porcelanas, senhas,
ga
ve
tas.

Um último desejo estirado na última hora.
A garganta convence a última palavra: salgada.
À espera de um dedo que caiba nessa mão enorme. Imprecisa. Gloriosa.
Minha filha desenhou seu nome nela.
Deixem o meu sangue correr!
Deixem a janela como está.Deixem meu suspiro na estante.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Véspera

não.
chegar é
- ou a saída -
um incômodo
que fica
naquela
direção.

vou de cabeça
catando de ouvido
eu no fundo,
que
eu
não
existo.


cada vez mais
com a falta presa na vértebra

falta
eu

falto para
espantar
o
medo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

História

No canto da página
uma idéia lança
o abis-
mo

virando a folha
e a palavra cai
.

Vai embrionar uma nova língua
de ferro
num cálice vazio
de outro poeta antigo.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

2 poemas antigos

I

quantas poesias se perdem!
ficam por ser!
vão queimar-se em papel invisível
incomodando os astros já tão ocupados:
súplicas, histórias, tecnologia...

meus sonhos ficam nas nuvens!
Ficam lá plantados,
aos ventos que desgrenham nossas cabeças,
que carregam os recados das plantas.
Com seu conteúdo de esquecimento

Meu fruto nasce por detrás das estações
num quintal mágico.
Alimentaria os adultos com pratos de impossível
se pudesse...

Mas minha poesia se perde
barrada nas nuvens baixas.
Não incomode os astros!
Posando para as janelas da Terra
girando este mundo feito um carrossel.

II

Um dia arranquei o tempo de mim.
Primeiro tudo ficou verde, depois azul.
No fim foi cor pra tudo quanto é lado.

Sentindo meu invisível apagar meu estômago,
agarrei logo o último segundo e
arremecei-o pela janela
ele voou como um pássaro no papel.

Agora sem meu último suspiro.
vivo um fim eterno. Translúcido.
que voa sobre uma eternidade
que nunca será minha.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Olhe bem para o seu pé

Olhe bem para o seu pé

olhe
olhe
olhe

QUE PÉZÃO, HEIM!

E ele vai virar baco!

vai
vai vai
vai

Vai baco! Vai ser gauche na vida!

Uma experiência

I
Certa vez...
Não estou na verdade certo de ter sido um vez certa. Acho que talvez apenas uma vez como outra qualquer.
Uma vez como outra qualquer senti um sopro em minha orelha. Dirigi-me a um homem que vinha:
__ Sei que não pode ajudar-me, mas o que significa esse sopro?
__ Como sabes que eu não posso ajudá-lo?.
__Se está aqui é pq não sabe, se soubesse já teria chegado!
O homem foi-se calado. Eu por minha vez... pensei: Como sei que no fim há uma resposta? Pq falei do que não sabia? De onde tirara a minha resposta?
...Retorna-me o homem. Vinha do mesmo lugar-nenhum:
__ Pois bem, o senhor disse-me que não saberia respondê-lo. Pq perguntara-me então?
__ Para distrair-me! e valeu-me! não me importa mais o sopro e foi a tua custa!..
__ É uma pena, pois de onde eu venho um sopro não é mistério.
__ É prá lá que eu vou amigo! Não preciso de ti para adiantar-me nada!
__ Quando souber a resposta fará com eu, voltará!
__ Isso aqui não dá em lugar nenhum, companheiro!
__ Então o que vais fazer em lugar nenhum?
__Vou prá contrariá-lo! Alguém por acaso vive para morrer, ainda que caminhe para a morte? Tudo existe porque sim! Isso é a verdade! Se vou, vou!
Parei para lembrar-me de algo e duvidei ter esquecido alguma coisa. Pensei voltar.

II
__Maria! Vê os homens conversando? Olha bem e adivinha o que é!
Maria olhou a janela e viu o olho de Manoel prá lá. Sentado no banco:
__É um sonho!
Olhou Manoel.
E Manoel riu:
__Assopra Maria, assopra!

III
__Mas Manoel, o que é?
Maria quem respondeu:
__Manoel não quer nada. Nem de dinheiro precisa!
Manoel olhava os dois conversando. Não pensava. Nem sabia se pensava, o que era um alívio. Olhava com o corpo todo. Antes estranharia aquilo, mas agora? Agora Manoel ria! Uma risada em cima da conversa dos dois (se é que eram dois, se é que conversavam, se é que havia o que conversar, se é que estavam ali). Manoel não era Manoel! Era o louco que doía na cabeça de Maria. Ninguém mais entendia Manoel e nem ele entendia, o que era um alívio. Manoel queria falar, queria explicar, queria pensar mas sem pensar... como explicar? Pensava naquilo, sem pensar e ria! Ria sozinho e ria prá valer! Ria dele, ria de Maria, ria do cachorro... soprava e batia as mãos na orelha espantando um inseto.
__Meu senhor! Por que ri tanto?
__Rio poqrue rio! Alugém, por acsao vevi para morrer, anida que canimhe para a motre? Tudo esixte prouqe sim! Isso é a vredade!
__Mas a verdade não existe, meu senhor! É um conceito inimigo do progresso pois leva-nos a acreditar que alcançando-lhe os pés chega-se à perfeição e o desenvolvimento cessa! Na mudança não há verdade e tudo é mudança. Ainda que cada palavra guarde uma verdade...
Manoel, muito brincalhão, sopra a orelha do triste senhor e com cara de quem sabe tudo nessa vida, chama Maria e vai.
__Ah! Acordou, é?!
Manoel balança a cabeça pensando que Maria não entende nada mesmo. Olha a conversa lá longe e acena! A conversa não pára prá Manoel, não pára prá nada! Nem sabe que Manoel existe, que deixou de existir e que existia de novo.
__Como se eu entendêsse - olhando prá Maria com ternura e curiosidade.

IV
Ainda que cada palavra guarde uma verdade...
Mas há verdades demais para cada palavra! Há mais palavras no mundo que coisas e mais coisas dentro de cada palavra que qualquer número de palavras.
Os Manuéis, uma ou duas pessoas que conversam, ou nenhuma! O fim provisório das coisas provisórias e o sem fim das coisas sem fim. Entre o que é verdade por que não pode ser e o que é verdade pq simplesmente deveria ser.
Ah! Uma gota corre esparsa na massa de ar e umedece os teus cabelos. Esses olhos são seus? Sua sombra? Seu hálito cansado? Você que é o que me internesce. Que me odeia. Porque essa umidade correndo sobre a face, Maria? Quem é esse senhor, Maria?
Eu devo ir a lugar nenhum para conhecer os meus sentidos das coisas e começar a ter algumas razões... Mas quando chegar vou voltar. Vou voltar para continuar a ser o mesmo, o que é um alívio! Quando chegar, acordarei a verdade com um sol na mão e farei com que brilhe sobre uma mesa posta. Vive posta! Derrubarei todos os altares, todas as colunas, todas as verdades para reconstruir o vazio.
Tudo no seu lugar para que nunca volte a ser como antes! Assim, voltarei e direi ao homem que não crê: "Quando souber a resposta fará como eu, voltará!".
Manoel ia passando:
__Eu o conheço? Não estava com alguém logo ali?
__Sim, acabei de chegar, mas não havia ninguém lá! Prá falar a verdade, eu não estava lá! Não me amole, por favor!
Manoel coçou a orelha e ficou ali; olhando aquele senhor com cara de perdido, pensando sem nenhum pensamento.
_Como é que faz, Manoel?

quinta-feira, 29 de março de 2012

A beleza é gelada e

A beleza é gelada e
o gelo
é um anel no peito.
Que ata um sentido por dentro
na palavra vestida
doutra palavra por fora.

O dia caminha na praça
mas preso noutra palavra:
uma noite por dentro.

terça-feira, 27 de março de 2012

Infância

para Beatriz Mendes Danesi

I.

Hoje está tranquilo… Na janela, o rio,
leva um pouco de lama da tarde.
Um peixinho rabisca um salmo na minha mão.
O tempo solta plumas na sala vazia.A correnteza leva
a marca do vento e o meu peito que bate devagar.


Caminho com as mãos cheias de ar. Como duas cenas da infância.
Um passarinho brinca. Que frio!
Como um século depois dos séculos,
olhando um quadro sem fundo.

É tão triste essa brincadeira de pôr cinzas na grama.
Minha mão no rio é o rabo de uma patinho. Minha foto é sinal de chuva.
Mas minha foto devagar, feito um frio que queima,
não chove.
E fiquei perdida no deserto.

Uma árvore empalidece e desmaia bem ao meu lado.
Olho minhas unhas. As pontas dos dedos roxas.
É um sonho? Meus olhos têm água nas fontes.
O rio insiste comigo, no reflexo de uma nuvem.

II.
Uma folha faz o caminho inverso e volta pra mamãe-tronquinho.
Uma nuvem ronca pra mim.
Que sono gostoso no céu. Azul de saudade eterna.
Voar é vontade de morrer.

À direita fica o rosto da minha mãe. Faz 15 anos.
Não faz mal. Ela ainda tem as guirlandas de vento que eu fiz prá ela
ontem à noite.
Todo dia ela me carrega na foto. Como fazia calor! Mês das folhas.

Papai aparece de dois em dois anos no reflexo do rio.
Faz muito frio e os patos ficam de guarda. Esperam que eu me troque.
Ele desce das praias e me abraça com elas.
Termina desenterrando meus cabelos. Sempre! Faz que chora e sorri todo espertão!
Quando vai, leva uma árvore ao meu lado.

III.
Passa um raio anunciando.

Viro o rosto devagar pra não perder
a curva do instante no nariz.
Pego meu espelho que se afasta. Tenho 60 anos. Uso um chapéu azul. Estou sorrindo.
Estou sempre sorrindo.
Faltam dois dentes. Mas sorrio assim mesmo.
Tenho 4 anos e já tenho lembranças de mim.

Há vinte anos cheguei aqui…
Não existiam essas bananeiras nem essas mangueiras com cara de cavalo.
Meu vento, que se dizia vento, é um sopro que aprendi sozinha.
Meu hálito ficou na memória. Na pasta de hortelã depois do almoço.
Já não me lembro da pia, do azulejo verde. Eu escrevi meu nome nele.
Escovando a boca com o dedo.

Hoje me caso comigo mesma. De brincadeira.
Meu brinquedo é fazer correr o rio. Os donos do tempo.
Os mestres derramando histórias dentro de mim.
Mas eu sorrio!

Lento… lento…
Olhando bem, o rio para e a terra é que me leva.
Atrás de mim, besouros e uns rabiscos meus,
sopram fazendo vento... vento...

sábado, 17 de março de 2012

Eternidade

Vamos pela alameda
de tediosas ilhas
como longas abordagens no concreto.

Nós no sorriso do dia
arrastamos nossa eternidade
alameda acima
fornidos de prosperidade.
O jardim ao lado... florido.

Seu capuz vermelho como um trovão
cobre a chuva que sai dos teus cabelos.
Meu braço sobe tua cintura e te absolve.

O jardim ao lado, florido,
a nos povoar mutuamente
de nós mesmos
sob a noite que enfim
apaga a tua sombra.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Poema feito com tédio

As pequenas alegrias não me alegram.
Música que não é instrumental.
Sou uma esmeralda!

Estou conversando comigo!
Com minha tia borboleta. Meu amigo boizinho.
E o povo do continente melancolia
nesse mar de loucura
É SÓ ALEGRIA!

Estou saindo de novo...
Sempre!
Catando os cacos da entrada
e os pedaços de quando era novo...

Aquele que não padece de ignorância sua não serve para Deus!
E ele é feio!
E vive sepultando
criancinhas no concreto.

Quero vida!
Dor e alegria!
Quero que esse domingo se foda
numa explosão de porra!

E não corra!
Meu pau tem asas duplas!
que não se fecham na aterrissagem.

Meu pau é um Boeing!
É SÓ ALEGRIA!

terça-feira, 13 de março de 2012

Poema novo

Não sinto meu espírito.
E não tenho mais os olhos esquivos.
Ficaram na alma do bicho.
Na pupila do predador que me engoliu.


Afoguei meu coração no couro de um touro.
Esse abismo ainda me corrige o resto de humanidade.
Um gesto sem ar dentro do couro do bicho.

Meus ombros pendurei às galhas
curvadas ao meu peso de pantera
e agora sou sombra na terra.

Meu espírito virou um clarão.
Fica fora de mim.
E a minha pupila de fera
já não se esquiva. Nem se curva.
É um touro de pedra.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Para minha filha Beatriz

O começo secreto dos filmes.
O atalho no terceiro lado das páginas;
esconderijo dos romances.


Como as mangueiras cosidas ao chão
escaladas às costas da estação
com suas raízes cadentes
na atmosfera do chão.

No centro, meu coração,
no peito do mundo.
Como uma dança pede
um corpo
e uma criança assiste um anjo.

Nos "Lírios do Nilo" ouvimos a canção da Terra.

Jamais recitarei Drummond

Só amando como fera me refaço
desmembrando os ídolos me escapo.
Fujo de mim.


Aprendi a odiar o que amo
dedos pelos pêlos. Sedução
Dança. Gesto líquido.

Repudio o poema que me lê
risco a palavra. Me apago.

Renego pensamentos. Afasto ícones.
Minto e me desminto e vazo.
Sumo num reflexo.

O que me envolve
quem me põe crédito
Lirismos fora de mim. Guilhotina!

Radiante. Um filho gigante
mastigando toda genealogia
própria. Egoísta. Parricida
sem amortização da lógica.

Engolindo tudo. Apagando os astros.
O que me anuncia.
Arauto da desgraça minha
que me segue o rastro
que me põe vivo.

Para Juliana.

Você começa pelos cabelos
caminha sobrancelhas adiante da face
desfaz-se a boca em litígio com a língua.

Cospidura detenta da vontade líbida
derretida transformada em saliva
escorre e desce ao mar.
 

Nós, verdura nua, apraiados. Faróis aluminários.
Teu pescoço gávea dos ombros
vergas do teu céu. Noite dos teus olhos – breu.

Trago a ampulheta de toda minha parada.
Lentura sôfrega de uma tonelada nos braços
pensos e resignados.

 

Escravo do desígnio de tua ausência alada.
Tua imagem fica resguardada
na quilha da minha nau de sonho.

Pequeno poema jocoso pensado no escretório

Para Rogério Skylab

Pra cagar
trago nos olhos o mar

no rabo a serena
vontade de dar
no vaso a água a cobrar
na água
fezes a banhar

e o sal do mar
a adoçar
essa vida
que insiste em cagar.

Notícia engraçada

E o poeta agiu com calamidade. Pendurou os salários e quando recorrido, representou: "A polícia deve ser caçada com serenidade absoluta".
Procuramos o verbo na hora da predicação e ele banalizou: "fui abdusido no máximo" (Pro)seguiu: "as pontuaçõs farão crase rapidamente. Estou realizando isso com o presidente em estrupício. Quero dizer, hospicio! E quanto às meninas... bem, poderão vir AGORA impossivelmente!!! Shortinho Santa Tereza D'Ávila... pernonas... chapadonas como elefantes na areia! Huuuummm... Elas terão meus aeroportos, entende? Os aviões são uma questão de vento. Vamos incucá-los! Percebê-los até o discutível! Um sumiço transcorrido! Mas se me dão desculpas preciso estimular o dia. Ah esses elevadores... ah os elevadores... eles são tão sofridos. São uma presença inesperada. Mas o que mesmo o sr. tentou comigo?
Tentei encontrá-lo... mas as saídas foram mais rápidas... Adeus! Já não se faz prevensão com parcimônia hoje a pino. Melhor ir pelo lado dos pontos agora... As agonias são ex-palavras. Estas por sua vez descenderam. Desligaram os textos... E este... este não se trata de um gato isolado! Adeus!...........................................

À Crase

Ser um sujeito sai das minhas possibilidades mais remotas. Queria ser o objeto depois da crase. Esta é o prenúncio de uma donzela. Não se abusam crases antes de masculinos. Crasidade da alma, talvez... Semblante crase demais do papel. Uma pena... tanta crase... A crase que não tem nome. Ela é um exercício. Desperdício. Poste de luz queimada numa esquina de via única com ela mesma.


sábado, 10 de março de 2012

Poesia irregular

Pensando em Maiakosvski

Esses anos de bruços
de descanso... como me cansam!
Todo esse riso. Esses brinquedos...
"Quanto mais dão, menos se sonha"


O tempo abriu convidativo para uma desgraça!
Plantar o ódio nas frases! Palmeiras!
Comer as cabeças das estátuas! Nas praças.
Olhos! Línguas!
Queimar os bares! Lares! Paços!
Pasto para os porcos.

Nos anos fartos a alma se afrouxa
no banco de veludo no cinto de segurança
pela estrada da boa nova.
"O asfalto é novo até Canãa".
Preto! Luto!

Todo dia é segunda.
Redonda! Sonolenta! Lenta!
Prato cheio para ligar meus guindastes na noite.
Encher de fumaça alérgica todos os parques.

Poetas saqueadores! Assassinos!
Sedutores! Poetas Aflitos!
Amarremos o sol pelos seus fios
Domemos a luz. Amanheçamos!

Engenheiros do dilúvio! Movimentemos a roda.
Apressemos as ondas! Todas as rochas!
Bolhas! Óleo quente! Fervura!
Ah como disparam os anos!
Voam como uma bala.

Movimento com martelo nas paredes.
Eletrochoque. Bombas.
Tudo bem! Desfazemos tudo depois: a guerra e as cidades.
Pode ficar tranquilo, poeta!
O mundo será nosso!

Inventemos! Conspiremos! Acima de tudo, mintamos!
Foda-se a poesia regular. De unidade.
Poetas transtornados de versos desiguais - Vivos!
Fardão. Mal acostumados. Plugados - Mortos!

A poesia saiu dos arames e ficou frouxa.
Comeu açúcar e ficou fresca.
gira gira gira... Tonta no meio da academia.
"Caiu, doutora!. Caiu o seu versinho!
"

O mundo será nosso, poetas!
Para desperdiçá-lo no primeiro tédio.
Para queimá-lo! Amarremos o sol, poetas!
Puxem! Puxem!

Queimemos irmãos! Queimemos!
Num dístico de inverno! Queimemos!