Pensando em Maiakosvski
Esses anos de bruços
de descanso... como me cansam!
Todo esse riso. Esses brinquedos...
"Quanto mais dão, menos se sonha"
O tempo abriu convidativo para uma desgraça!
Plantar o ódio nas frases! Palmeiras!
Comer as cabeças das estátuas! Nas praças.
Olhos! Línguas!
Queimar os bares! Lares! Paços!
Pasto para os porcos.
Nos anos fartos a alma se afrouxa
no banco de veludo no cinto de segurança
pela estrada da boa nova.
"O asfalto é novo até Canãa". Preto! Luto!
Todo dia é segunda.
Redonda! Sonolenta! Lenta!
Prato cheio para ligar meus guindastes na noite.
Encher de fumaça alérgica todos os parques.
Poetas saqueadores! Assassinos!
Sedutores! Poetas Aflitos!
Amarremos o sol pelos seus fios
Domemos a luz. Amanheçamos!
Engenheiros do dilúvio! Movimentemos a roda.
Apressemos as ondas! Todas as rochas!
Bolhas! Óleo quente! Fervura!
Ah como disparam os anos!
Voam como uma bala.
Movimento com martelo nas paredes.
Eletrochoque. Bombas.
Tudo bem! Desfazemos tudo depois: a guerra e as cidades.
Pode ficar tranquilo, poeta!
O mundo será nosso!
Inventemos! Conspiremos! Acima de tudo, mintamos!
Foda-se a poesia regular. De unidade.
Poetas transtornados de versos desiguais - Vivos!
Fardão. Mal acostumados. Plugados - Mortos!
A poesia saiu dos arames e ficou frouxa.
Comeu açúcar e ficou fresca.
gira gira gira... Tonta no meio da academia.
"Caiu, doutora!. Caiu o seu versinho!"
O mundo será nosso, poetas!
Para desperdiçá-lo no primeiro tédio.
Para queimá-lo! Amarremos o sol, poetas!
Puxem! Puxem!
Queimemos irmãos! Queimemos!
Num dístico de inverno! Queimemos!
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