II
Um homem
com um espelho (feito
um segundo esqueleto)
embutido no corpo
não pode
bruscamente voltar-se para trás
não pode
juntar nada do chão
e quando dorme
é como um acrobata
estendido sobre um relâmpago
Um homem com um espelho
enterrado no corpo
na verdade não dorme: reflete
um vôo
Enfim, esse homem
não pode falar alto demais
porque os espelhos só guardam
(em seu abismo)
imagens sem barulho
* Poema do livro "Na Vertigem do Dia". De Ferreira Gullar. 1980.

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