DÉCIMAS
Dizem, que o vosso cu, Cota,
assopra sem zombaria,
que parece artilharia,
quando vem chegando a frota:
parece, que está de aposta
este cu a peidos dar,
porque jamais sem parar
êste grão-cu de enche-mão
sem pederneira, ou murrão
está sempre a disparar.
De Cota o seu arcabuz
apontado sempre está,
que entre noite, e dia dá
mais de quinhentos truz-truz:
não achareis tantos cus
tão prontos em peidos dar,
porque jamais sem parar
faz tão grande bateria,
que de noite, nem de dia
pode tal cu descansar.
Cota, êsse vosso arcabuz
parece ser encantado,
pois sempre está carregado
disparando tantos truz:
arrenego de tais cus,
porque êste foi o primeiro
cu de Moça fulieiro,
que tivesse tal saída
para tocar tôda a vida
por fole de algum ferreiro.
* Poema do livro "Antologia". De Gregório de Matos (1636-1695). Editora L & PM. Organização de Higino Barros.
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