Trouxe Coisa?
Minha tia dorme de boca aberta
recostada.
A cadeira de rodas espera.
Minha tia não anda
a enfermeira arrasta.
Arado sujo enferrujado.
Ela tem saudade dos lírios
Os olhos são dois cavalos velhos
afogando-se num rio.
Em volta o mato velho
seco
engole a horta. Faz frio.
Sorri para os pássaros
mas algo dentro chora:
asas quebradas.
Dâo-lhe o arroz na boca
metade cai na mesa.
Sente vergonha.
Ninguém para limpá-la.
Não percebem os ovinhos de larva
subindo pelo vestido.
Hoje é minha tia quem me pede nos olhos:
Trouxe coisa?
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