sábado, 3 de março de 2012

Para uma tia enfêrma.

Trouxe Coisa?

Minha tia dorme de boca aberta
recostada.
A cadeira de rodas espera.

Minha tia não anda
a enfermeira arrasta.
Arado sujo enferrujado.

Ela tem saudade dos lírios
Os olhos são dois cavalos velhos
afogando-se num rio.
Em volta o mato velho
seco
engole a horta. Faz frio.

Sorri para os pássaros
mas algo dentro chora:
asas quebradas.

Dâo-lhe o arroz na boca
metade cai na mesa.
Sente vergonha.
Ninguém para limpá-la.
Não percebem os ovinhos de larva
subindo pelo vestido.

Hoje é minha tia quem me pede nos olhos:
Trouxe coisa?

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