terça-feira, 13 de março de 2012

Poesia por Federico Garcia Lorca

"O poeta é uma árvore
com frutos de tristeza
e com folhas murchas
de chorar o que ama.

O poeta é o médium
da Natureza
que explica sua grandeza
por meio de palavras.

O poeta compreende
todo o incompreensível
e as coisas que se odeiam,
ele, amigas as chama.

Sabe que as veredas
são todas impossíveis,
e por isso de noite
vai por elas com calma.

Nos livros de versos,
entre rosas de sangue,
vão passando as tristes
e eternas caravanas

que fizeram ao poeta
quando chora nas tardes,
rodeado e cingido
por seus próprios fantasmas.

Poesia é amargura,
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.

Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.

Poesia é a vida
que cruzamos com ânsia,
esperando o que leva
sem rumo a nossa barca.

Livros doces de versos
sãos os astros que passam
pelo silêncio mudo
para o reino do Nada,
escrevendo no céu
suas estrofes de prata.

Oh ! que penas tão fundas
e nunca remediadas,
as vozes dolorosas
que os poetas cantam !

Deixaria neste livro
toda a minha alma..."

* Trecho do poema "Este é o Prólogo". Do livro "Antologia Poética". De Federico Garcia Lorca. 1918. Tradução de William Agel de Melo.

 
Lorca, o mais belo poeta de Espanha! A poesia andava com ele. Irmão da beleza e do ritmo. Era doce e tinha a simplicidade dos que entenderam a natureza. Seu verso é ensolarado. Cheio de cores, luzes, aromas. Amou os amigos, sua pátria, a música, seu povo. Sua generosidade rendeu um obra extensa. Foi assassinado aos 38 anos. Nacionalistas franquistas o mataram com um tiro na nuca. Foi alvejado de costas em alusão à sua homosexualidade. Lorca a ostentava abertamente. Era corajoso. Uma vítima dos regimes totalitários. Um prenúncio da Segunda Guerra Mundial. O mundo inteiro viu. Mataram Lorca! Calaram o poeta! Que país é esse que aniquila seus poetas dessa forma?! "mais perigoso com a caneta que outros com o revólver" disse o deputado católico que decretou sua prisão. Sim! Enquanto a hipocrisia, a intolerância, a violência e principalmente a repressão reinarem, os poetas deverão ser sempre uma ameaça! Que assim seja!

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