quarta-feira, 7 de março de 2012

Minha solidão...

Minha solidão é meu abrigo
e mais só está este poema.


O Princípio emancipou o homem.
De onde a vida brota,
já não importa.

Os cães desconfiam de nós.
As árvores foram-se dos campos.
Deusas curvadas arrastando o tempo
de volta às cavernas de cristais.

Eu sigo de longe a diáspora silenciosa
dos bichos e das plantas.
Entre falenas
no ombro de extintas entidades.

Prefiro o indicador das folhas.
Pas de deux,
dançam nos galhos
Seduzidas pelo vento, delírio sinuoso.
Pelos ares. Pelo chão.
Que importa a árvore?
Que me importa o mundo?

Olha!
Ninguém vê as sombras sumindo dos bosques.
Ninguém vê o suicídio dos cães
- amigos do homem.
Nem vê através desse poema.

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