porque eu acabara de chegar do interior;
Eu estava atrasado vinte anos
e por isso encontrastes um público preparado.
Não vos renego,
Não renegueis vossa progênie.
Eu estava atrasado vinte anos
e por isso encontrastes um público preparado.
Não vos renego,
Não renegueis vossa progênie.
Aqui estão eles sem rebuscados artifícios,
Aqui estão eles sem nada de arcaico.
Observai a irritação geral:
Aqui estão eles sem nada de arcaico.
Observai a irritação geral:
"Então é isto", dizem eles, "o contra-senso
que esperamos dos poetas?"
"Onde está o Pitoresco?"
"Onde a vertigem da emoção?"
"Não ! O primeiro livro dele era melhor."
"Pobre Coitado ! perdeu as ilusões."
que esperamos dos poetas?"
"Onde está o Pitoresco?"
"Onde a vertigem da emoção?"
"Não ! O primeiro livro dele era melhor."
"Pobre Coitado ! perdeu as ilusões."
Ide, pequenas canções nuas e impudentes,
Ide com um pé ligeiro !
(Ou com dois pés ligeiros, se quiserdes !)
Ide e dançai despudoradamente !
Ide com travessuras impertinentes !
Ide com um pé ligeiro !
(Ou com dois pés ligeiros, se quiserdes !)
Ide e dançai despudoradamente !
Ide com travessuras impertinentes !
Cumprimentai os graves, os indigestos,
Saudai-os pondo a língua para fora.
Aqui estão vossos guisos, vossos confetti.
Ide ! rejuvenescei as coisas !
Rejuvenescei até The Spectator.
Ide com vaias e assobios !
Saudai-os pondo a língua para fora.
Aqui estão vossos guisos, vossos confetti.
Ide ! rejuvenescei as coisas !
Rejuvenescei até The Spectator.
Ide com vaias e assobios !
Dançai a dança do phallus
contai anedotas de Cibele !
Falai da conduta indecorosa dos Deuses !
contai anedotas de Cibele !
Falai da conduta indecorosa dos Deuses !
Levantai as saias das pudicas,
falai de seus joelhos e tornozelos.
Mas sobretudo, ide às pessoas práticas -
Dizei-lhes que não trabalhais
e que viverei eternamente.
falai de seus joelhos e tornozelos.
Mas sobretudo, ide às pessoas práticas -
Dizei-lhes que não trabalhais
e que viverei eternamente.
* Poema do livro "Poesia". De Ezra Pound. Tradução de Mario Faustino.
Pound foi um fanático da poesia. Irmão das línguas modernas e filho das mortas. Cultuou os poetas antigos. Exaltou os medievais. Sua dedicação à poesia é lendária. Tornou-se um poeta de erudição. Acreditou no poder político da arte. "O artista é a antena da sua raça". Reduzido a fascista e tenho nojo a essa história. Defendo Pound: “Se a Literatura de uma nação entra em declínio a nação se atrofia e decai”. Era contra a dinheirolatria. O enfraquecimento de caráter e de cultura. Apoiou-se no ditador que salvaria o povo da especulação financeira. O dinheiro internacional. Salvaria os gregos e os latinos. Os clássicos voltariam a circular. Mas Pound defendeu a arte e foi traído. Depois derrotado. Os regimes totalitários que apoiou, assassinaram crianças; trussidaram poetas. Por fora o dinheiro sufocou a beleza. Ninguém ouviu seus Cantos. Morreu desiludido: "Minhas intenções eram boas, mas enganei-me na maneira de alcançá-las. Fui um estúpido. O conhecimento me chegou tarde demais...Muito tarde me chegou a certeza de nada saber...". Hoje, caro Ez, caras como você são anônimos em meu país. Sua luta é quixotesca e leviana. Sua armadura helênica. Estamos fracos, burros e bêbados. O mundo nunca foi tão careta e retrógrado. A educação nunca foi tão subjugada. Nossa nação se atrofiou e decaiu. Destruímos beleza às toneladas todos os dias. Rios, florestas, música, ar, cidades, bibliotecas, teatros, relações, povo, cultos, nosso futuro, nossos corpos, nossos velhos, nossos loucos, nossos filhos, nossa memória. Nossos espíritos embrutecidos. Amar é motivo de vergonha. Mas sua luz ainda treme. Toca o peito de cada solitário que acredita na dignificação da arte. A roda gira, Pound. Um dia o dinheiro correrá dos bancos ao esgoto.

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