Golpes como do ódio de Deus; como se diante deles
a ressaca de todo o sofrimento
se empoçasse na alma... Eu não sei!
São poucos, mas são... Abrem fendas escuras
no rosto mais fero e no dorso mais forte.
Serão talvez os potros de bárbaros átilas;
ou os arautos negros que nos manda a Morte.
São as quedas profundas dos Cristos da alma,
de alguma fé adorável que o Destino blasfema.
Esses golpes sangrentos são as crepitações
de algum pão que se queima na boca do forno.
E o homem... Pobre... pobre! Volve os olhos, como
quando alguém bate as mãos por trás de nós;
vira os olhos loucos, e tudo que foi vivido
se empoça, como charco de culpa, no olhar.
Há golpes na vida tão fortes... Eu não sei!
* Poema do livro "Os Arautos Negros". De Cesar Vallejo. 1919. Tradução de Thiago de Mello.
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