foi baixo,
acaso tímido.
Com grande silêncio em torno.
As asas batiam,
batiam e fechavam-se
rascantes
- tuas asas e garras! -
contra a espessura do vergel.
Já pela relva
tombavam
sob teu hálito - violentos,
os frutos primeiros.
Contra as altas paredes
nem sequer investiste.
De súbito,
pelos flancos,
incendiaste a montanha.
De súbito cavalgavas o espaço
equilibrando-te
- aura e domínio -
entre o horizonte e a abóbada.
Contra o verde e o azul,
de tua sombra vinha sangue.
(Sob teus auspícios,
contra o ferro, a madeira e a crosta endurecida
da terra,
multiplicavam-se enxadas, foices e malhos.)
Clima de estranho sortilégio
com címbalos, flâmulas e ouro líquido
de outros planetas.
Era um canto, uma dança, um vôo,
o exercício da liberdade,
era porventura a descoberta
do espírito?
Pássaro, pássaro de fogo!
Olhos que te viram cegaram
para ver-te melhor!
* Poema do livro "A Flor da Morte". De Henriqueta Lisboa. 1949.

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