"Se a missão da poesia é despertar, há muito tempo que deveríamos ter acordado. É inegável que alguns acordaram. Mas agora são todos que devem despertar - e imediatamente -, senão pereceremos. Só que o homem jamais perecerá, fiquem tranquilos. O que corre o risco de perecer é a cultura, a civilização, o estilo de vida. Quando esses mortos despertarem, e é certo que despertarão, a poesia será a própria essência da vida. Podemos arcar com a perda do poeta se em troca preservarmos a poesia. Não se precisa de papel nem tinta para criar ou disseminar a poesia. De modo geral, os povos primitivos são poetas da ação, poetas da vida. Embora não nos comovam, ainda estão fazendo poesia. Se fôssemos suscetíveis ao poético, não seríamos imunes a seu modo de vida: teríamos incorporado essa poesia à nossa, teríamos impregnado nossas vidas da beleza que permeia as deles. A poesia do homem civilizado sempre foi exclusica, esotérica. Isso acarretou a sua própria extinção".
* Trecho de "A Hora dos Assassinos (Um estudo sobre Rimbaud)". De Henry Miller. 1956. Tradução de Milton Persson.

* Trecho de "A Hora dos Assassinos (Um estudo sobre Rimbaud)". De Henry Miller. 1956. Tradução de Milton Persson.

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