quarta-feira, 7 de março de 2012

Um veneno que está por aí

O gás de gengibre e isopor
alastra
crassa na alma o odor de morte.


Abre as asas, estufa o peito.
Alcança os últimos galhos nas praças,
nos pátios.
Das veias do norte
aos córregos do centro,
até a máquina de amar.
Escorre plagiando o ar.

Espalha-se o veneno contagioso.
Respirar e se conformar.
- A poesia é para os fracos!
Viver é lutar! Isso aqui é uma guerra! -

Até guardar a máquina de amar.

E no peito, um coração-salário,
sério e compenetrado,
que já não perde tempo batendo.

Poesia, verbo do verso amar.

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