Será este mais um poema?
Será que absorvo a expressão do rosto no asfalto?
Será que sinto o sono dos bêbados levantar dos bancos?
As árvores olhando os carros
como crianças e seus brinquedos?
Penetro as ruínas erguidas por tratores
sinto a destruição descendo os estandartes da praça.
Flânulas perscrutando os pensamentos dos passantes.
É meio dia e o calor esquenta as antenas. Vejo trabalhadores, vejo casais.
Vejo homens de terno atráves de seus ternos. Gordos! Punheteiros! Suados!
Sou um fantasma.
Como não recuar às bandeiras e aos hinos?
Como não vê-las manchadas do sangue dos poetas?
Lorca, Jara, Tsvetaeva, Radnóti
Como não recuar às máquinas e procurar o campo?
Como não reconhecê-lo?
Um homem de pé no chão sulcado segura o arado.
Essa é uma bandeira. Essa é a estátua do tempo.
União. Unidade. História.
Só farei poesia que busca o campo como expressão do mundo.
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